30 setembro 2017

NEXT STOP || Praga, República Checa


Sabem a história do Hansel e da Gretel e da famosa casinha de chocolate?
Praga tem todo esse imaginário e mais algum. Mais uma vez, e tal como em Pilzen (podem ler mais sobre essa cidade checa aqui), Praga é uma cidade absolutamente linda, que nos transporta para os tempos negros de Idade Média.
É engraçado que ao rever as viagens que fiz nos últimos tempos a maioria delas aconteceram no inverno, uma estação que não é agradável para toda a gente, mas que para mim é uma altura mágica, onde podemos presenciar um inverno que, na maior parte dos países europeus, não tem nada a ver com o nosso.
Concentremo-nos então em Praga, a cidade das bruxinhas como eu simpaticamente a apelidei.


O CASTELO

O tempo era curto e no último dia do ano a cidade preparava-se para  a entrada em 2017. A visita foi a mais simples possível, apenas os pontos principais da cidade, logo a começar pelo castelo. 
O castelo não é só um castelo, é um conjunto de complexos onde encontramos o castelo, a catedral, ruas, jardins, etc.
Ao atravessar os muros da entrada, o que sobressaiu mais à vista foram as torres da catedral que me transportaram de imediato ao universo do Harry Potter e das torres de astronomia do Castelo de Hogwarts. 
Todo o complexo tem a sua beleza, com uma mistura de estilos de arquitetura devido aos diferentes anos de construção todo o castelo é completamente evidente. 
Já dentro das imediações, o queixo caiu-me ao passarmos por baixo de um arco e encontrarmos de frente a frente da Catedral de São Vito com uma altura brutal, tal como toda a arquitetura e pormenores que a compõem. Difícil foi colocar toda esta grandeza dentro de uma fotografia. Na minha cabeça a pergunta é sempre a mesma: como conseguiram eles, naquela altura, construir esta brutalidade? Acho que precisava de ver para acreditar.
Dentro das muralhas, mas também fora, encontrámos as típicas feirinhas de inverno que preenchiam o ar de cheiros, desde carne a assar nos espectos, até vinho quente ou o cheiro (já) enjoativo de açúcar e doces. Os brinquedos para os mais pequenos também faziam as delícias, em especial os de madeira como as famosas marionetas.
Já fora do castelo, e descendo as ruas da cidade, os cheiros acompanhavam-nos, assim como o frio que se intensificava à medida que o sol se punha, eram apenas 16h. Não é de admirar que este tipo de capitais europeias estejam repletas de cafés e lugares cozy para ficarmos. Ninguém aguenta andar na rua muitas horas seguidas e estes locais tornam-se os nossos melhores amigos para aquecer os pés e descansar.









CHARLES BRIDGE

A Charles Bridge é uma das pontes mais conhecidas de Praga. Repleta de figuras religiosas, durante o dia encontram-se imensos vendedores de quadros e pequenas peças de arte ao longo da ponte. Foi aqui que também abusei (muito) da máquina fotográfica e das mais diversas perspetivas que a vista nos oferecia.
Esta é uma das pontes mais movimentadas e um dos locais privilegiados da cidade. Foi aqui que nos despedimos de 2016 e entrámos em 2017. 





O RELÓGIO DE ASTRONOMIA

Do outro lado, e depois de mais umas tantas ruas, o símbolo máximo desta capital: o relógio de astronomia, com um complexo funcionamento, inalcansável para o comum do turista. 
Encaixado numa das paredes da Câmara de Praga, o relógio toca de tempo em tempo, com umas personagens que surgem nas pequenas janelas e que ajudam a construir uma história sinistra por detrás de todo o encanto do relógio. 




JOHN LENNON WALL

Estive com a minha amiga em Praga em dois dias diferentes: no dia 31 de dezembro e no dia 2 de janeiro. Fomos à John Lennon Wall no segundo dia, dia em que explorámos melhor algumas  zona que já tínhamos ido, bem como outras diferentes, como esta que vos vou falar.
A parede que os checos dedicaram a John Lennon, um dos eternos membros dos The Beatles, é feita por todos nós e para todos nós. Nesta parede encontramos desenhos, tags e uma imensidão de mensagens, a maioria alusivas a paz e amor para o mundo. Torna-se confuso porque o espaço já está muito preenchido, com uma mistura de cores que nos leva a aproximar para ler melhor algumas das mensagens ali deixadas. Quando regressei a Portugal fui pesquisar mais sobre este spot que se tornou famoso quando alguns jovens checos decidiram ali deixar mensagens de esperança numa altura em que a República Checa vivia ainda agregada à URSS.
A parede é uma simples parede, localizada numa rua de Praga. As mensagens nela inscritas é que a tornam especial, principalmente porque todos os dias o aspeto deste mural muda.




PRAÇAS E RUAS

Por ali, e a toda a volta, em cada beco e em cada rua, os edifícios e todo o ambiente ao redor fazem lembrar contos infantis e a idade média. Embora bonitos e imponentes, as cores são escuras e sombrias, com torres altas, encerradas por pináculos e cúpulas a lembrar o gótico. 
Os mercados de Natal estavam por toda a parte e era impossível sair da cidade sem provar o famoso trdelnik, uma espécie de bolo, coberto com açúcar e canela (pode também ser recheado por dentro).



Ficou ainda muito por conhecer nesta cidade, uma vez que tive oportunidade de conhecer outros locais da 
República Checa. O regresso a Praga é obrigatório e se for com frio será ainda melhor.  

23 setembro 2017

EXPERIMENTAR || Descer o Tejo de canoa



Há uns anos participei numa descida de canoas em Constância num grupo organizado do trabalho da minha mãe. Devia ter uns 10, 11 anos, mas lembro-me de ter adorado a experiência, principalmente porque tive o privilégio de ir apenas a observar a paisagem, sem remar, visto que não tinha capacidade para tal.
A vontade de repetir a experiência agora, e já com idade para dar umas remadas, vinha a aumentar e antes do verão terminar ainda consegui riscar esse objetivo da lista.
Marcámos a aventura através da Natur Z (infos no fim) e no fim de semana passado, eu e mais três amigos, pusemo-nos a caminho da praia fluvial de Constância, de onde partiríamos. 
Após alguns metros parámos para descansar e foi aí que os 9 km que se seguiam começaram a assustar. Tinha a sensação de já ter remado qualquer coisa quando na verdade ainda íamos em apenas alguns metros. Logo ali começaram as dúvidas sobre se aguentaria remar até ao fim e quão louca tinha sido eu por nos ter posto a remar 9 km.  
Mantivemos um bom ritmo e todo o caminho valeu o esforço: em algumas zonas do rio estávamos apenas nós, o monitor e a natureza, num espelho de água muitas vezes perfeito, apenas interrompido pelas canoas que chegavam a navegar ao sabor da corrente. 
Pelo caminho apanhámos de tudo: aves marinhas, ovelhas a pastar nas margens, outras canoas e até uma canoa em particular, com dois aventureiros que tentavam, em vão, subir para a canoa. (este episódio ficou maravilhosamente registado pela GoPro) 
Bem no meio do Tejo estava a principal paragem, aquela que todos nós ansiávamos: o Castelo de Almourol. Não sei há quanto tempo é que este Castelo estava na minha lista de sítios a visitar, mas esta aventura foi um dois em um em termos de riscar objetivos da lista!



Em tempos este castelo serviu como ponto de defesa, uma vez que foi construído estrategicamente no meio do rio. Embora tenha sofrido algumas adaptações devido ao número de visitantes que recebe por dia, a vista da torre mais alta não deixa de ser lindíssima e serviu como incentivo para o resto do caminho que nos faltava remar.
Com as baterias recarregadas, voltámos a colocar as canoas no rio para mais uns quilómetros até ao fim. 


Na verdade estes passaram sem que eu desse muito por isso, fosse pelo embalo da viagem e da natureza, tão pura à nossa volta, fosse pelas conversas e gargalhadas que nos fartámos de soltar (e pelas várias tentativas de nos molharmos uns aos outros).
O nosso monitor, o André, teve uma paciência de santo e ainda se riu com alguns dos nossos disparates. Levámos a tarefa a sério, mas o cansaço dava de si, até mesmo quando já víamos a meta, em Vila Nova da Barquinha. 
Perto do fim o nosso olhar prendeu-se no céu. Uma avioneta "libertava" pessoas que caíam em queda livre para, mais tarde (alguns muito tarde), abrirem o pára-quedas e voarem ao sabor do vento. 
Na minha cabeça comecei a ganhar coragem para riscar outra aventura da lista. Temos sempre o próximo verão. 
O desafio deste ano foi superado com sucesso. Dormimos todos que nem uma pedra nessa noite. 



Natur Z - http://www.descidas-em-kayak.com/1106/descidas-em-kayak.html
Descida Constância - Vila Nova da Barquinha
9 km, dificuldade média

19 setembro 2017

BLOG || Regressos felizes


Voltar a escrever para não me esquecer de quão bons eram os dias de blog, os dias de planeamento, de publicar, de partilhar conteúdo ou escrever só porque sim, porque nunca deixou de ser bom.
Durante meses muita coisa pode mudar (e mudou). Prova disso é o facto de ter terminado a licenciatura desde a última vez que aqui escrevi. Em fevereiro, data do meu último post, falava da última viagem que tinha feito à República Checa. Desde então consegui licenciar-me e pelo meio já viajei novamente.
É incrível como criamos prioridades na nossa vida e muitas vezes deixamos de parte o que nos faz feliz.
É uma questão de tempo e organização, repito para mim imensas vezes. E é tão isso: esticarmos os dias, ler aquele texto que ficou em atraso, mandar aquela mensagem que já andamos para mandar há muito, rever aquelas pessoas que outrora estiveram diretamente na nossa vida, todos os dias, e agora estão mais distantes, mas ainda habitam num cantinho do nosso coração.

Volto a escrever para não me esquecer de que o tempo é sempre o nosso aliado quando temos vontade, quando gostamos, quando nos dedicamos.

28 fevereiro 2017

I have been thinking about... // Futebol dos "pequenos"


@spaceofsoccer • Fotos e vídeos do Instagram:
Via pinterest

Falar de futebol não é, de todo, a minha praia. Aliás, acho que nunca falei sobre futebol aqui no blog.
Mas a razão que me leva a escrever sobre o tema é talvez a mesma razão que me leva a não falar sobre o tema.
Sou de um clube dito "pequeno" e sabemos bem o que quer isso dizer em Portugal. 
Conheço algumas equipas dos principais campeonatos europeus, mas fico-me por aí. Há nomes sonantes como um Real Madrid ou um Chelsea. E depois há clubes ditos pequenos como o meu. Há clubes como o Leicester, a o campeão surpresa da liga inglesa o ano passado.
Não sei como é que estes clubes são tratados lá fora. Não sei que tipo de visibilidade lhes é, isto é, a importância que têm nos órgãos de comunicação social ingleses.
Sei que há clubes ditos "pequenos" como o meu, mas isso não deverá ser problema para quem os adeptos ingleses, tal como não é para mim e para muitos daqueles que fazem parte de clubes pequenos em Portugal.
Ser do Belenenses é ser de um clube histórico que carrega consigo muitas coisas boas, mas também más: não tem quase visibilidade nos órgãos de comunicação, a não ser que joguemos com um dos três grandes; ainda ontem esperava o rescaldo do jogo nos canais de informação, que só existe quando jogamos com um dos três grandes; o clube precisa sempre de crescer e ganhar mais adeptos e sangue novo, o que quase nunca acontece porque, sinceramente, é muito melhor ser de um clube grande; noutros tempos fomos enormes e agora moramos pelo meio da tabela e das páginas do meio/fundo dos jornais.
Ser de um clube pequeno em Portugal não é fácil porque falamos de equipas que são francamente mais fracas do que as outras, mas que também têm orgulho no trabalho (possível) que desenvolvem. 
Vivemos uma febre de clubes em Portugal, onde interessa mais o "és de que clube?" do que propriamente o futebol e o jogo em si. 
Sou de um clube pequeno e valorizo os esforços que são feitos pelo clube para manter o sonho dos adeptos. Valorizo todas as outras modalidades que fazem parte do clube e que são igualmente merecedoras de atenção.
Quando entrei em jornalismo, e durante o primeiro ano, pensei muitas vezes nesta questão em específico: pudesse eu mudar a forma como se faz jornalismo desportivo e a importância e seríamos todos um pouco mais iguais neste aspeto de torcer pelo clube mas, principalmente, apreciar futebol e o desporto no geral.
Sou a primeira crítica dos jornais desportivos que todos os dias estampam nas capas os três grandes, quando há muito mais a dizer e a mostrar. 
Infelizmente são essas as capas que a maioria dos leitores espera encontrar nas bancas.